Quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
Farta de tudo, farta de nada

 

 Estou cansada

 



publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 14:05
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Terça-feira, 3 de Novembro de 2009
Cegonha perdida

Até hoje tenho esperado pela chegada da cegonha.

Mas até agora ainda não chegou...
Vi-a por meros instantes, mas logo, logo desapareceu com o meu bebé.
Não sei o que fiz, ou não fiz, só sei que ela me fugiu e nunca mais voltou.
Já tive raiva, tristeza.
Agora tenho tristeza, saudade...
Saudade dos meses em que acreditava que ela iria chegar através do caminho indicado pelos tratamentos, mas não.
Estes GPS’s não funcionaram, foram 4, mas nenhum deles lhe indicou bem o caminho e ela perdeu-se.
Fui obrigada a desistir de adquirir um novo GPS...
Quem sabe um dia esta cegonha que tantas vezes se perdeu, encontre o caminho de nossa casa...
 
Ou quem sabe mesmo, se um dia a cegonha chamada adopção bate à nossa porta...

Não vejo esta cegonha como alternativa à infertilidade, a adopção sempre fez parte dos meus sonhos, desde menina... o Gonçalo tem medo... mas quem sabe, se esta cegonha já não estará a caminho de nossa casa...



publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 08:56
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Sexta-feira, 18 de Setembro de 2009
Decisão

 

Ontem falei com o Gonçalo sobre a possibilidade de fazermos um outro tratamento.
A resposta dele foi um “NÂO” bem forte.
Ele disse que não quer ver-me a sofrer mais e que acima de tudo não quer viver com o medo que me aconteça alguma coisa, disse que já bastou o susto que apanhou no terceiro tratamento no dia da punção.
Que já fizemos tudo o que estava ao nosso alcance, lutamos o quanto nos foi possível, que já nem sequer queria que eu fizesse o terceiro e o quarto muito menos, quanto mais agora um quinto tratamento, nem pensar.
A voz dele estava embargada e os olhos encheram-se de lágrimas, abraçou-se a mim e sei que mais um bocado que se falasse no assunto ele se desmanchava ali a chorar.
Eu disse que já tinha esquecido a dor, e que por mim fazíamos mais um, ele disse que eu já podia ter esquecido, mas que ele não. E não quer ver-me a sofrer, já chega.
Pois... realmente e pensando bem (eu sou mesmo assim... esqueço as coisas más depressa) nos tratamentos que fiz chegava a uma altura em que sofria muito, resmungava que estava farta de injecções e de dores.
E cheguei a dizer que era bom que os médicos não me deixassem fazer mais nenhum tratamento, não por mim (que eu sou mesmo assim, hoje posso estar a chorar, mas logo, logo, já esqueci) mas pelo Gonçalo, que eu via a tristeza dele e a culpa que sentia em cada injecção que eu tomava.
Acho que o Gonçalo tem razão, já chega de sofrermos e de fazer os outros sofrerem também.
Eu sofro por causa dos tratamentos, sofro por ver os meus pais sofrerem, sofro por ver a minha irmã triste, sofro por ver a minha família e amigos a verem-nos sofrer sem poder fazer nada, sofro pelo sofrimento que eles têm pela nossa infertilidade.
Sofro mais por ver o Gonçalo sofrer e sentir-se culpado.
Foram 6 anos de sofrimento, acho que realmente já chega.
Quando namorávamos já pensávamos em filhos e até tínhamos nomes escolhidos, lol...
Fizemos muitos projectos, mas casei com ele porque gostava dele, não por causa de ter filhos, se fosse só essa a razão tínhamos feito a despistagem da infertilidade ainda antes de casarmos, por isso... ontem ao vê-lo sofrer e falar daquela maneira, acho mesmo que chegou o limite dele, também já sofreu muito... não posso ser egoísta...
Ontem disse-lhe “realmente ninguém pode dizer que estou contigo por outra razão que não o amor, só pode mesmo ser amor...”
Dizem que o amor vence tudo, não é? Como algumas amigas me disseram nós vencemos a infertilidade, não foi esta maldita doença que nos venceu, porque ela teria ganho se nos destruísse o amor, a nossa união. Mas não, ao fim de 6 anos de angústia, dor e desespero continuamos os dois juntos...
 
Agora a nova batalha? rsrs perder os quilos a mais... estou uma pequena baleia... 67,5 Kg xiiiiiiiiiiii!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 08:58
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Quarta-feira, 16 de Setembro de 2009
Dar a volta?...

Por vezes eu própria não me entendo...

Não tenho parado de pensar na infertilidade
Tento abstrair-me, tenho-me afogado no trabalho para me esquecer de tudo isto, mas nem assim consigo.
Quando vou almoçar, quando vou para casa, aos fins-de-semana, nos meus tempos livres o meu pensamento segue para a infertilidade
Esta terrível doença que nos desfere golpes profundos
Que cria raízes de dor e angustia, desespero mesmo.
Na segunda-feira ganhei coragem e liguei para o HSJ para saber o que irão fazer aos dois frasquinhos que sobram.
Ontem a bióloga ligou-me a dizer que os frasquinhos restantes contêm espermatozóides nem muito bons nem muito fracos e que possivelmente poderão ter de ser utilizados num único tratamento.
Perguntou-me quando é que iria precisar deles, porque existe a parte burocrática para se levar o material biológico para outras clínicas e que toda esta burocracia demora ainda o seu tempo.
Desliguei o telemóvel e mais uma vez afoguei-me no trabalho.
Na hora de almoço, no carro deu-me um ataque de choro, raiva, de dor...
Não é justo, cortaram-me a estrada em que poderia lutar mais uma vez, porque não mais um tratamento se ainda existem 2 frasquinhos? Sei que tenho respondido mal... mas mais um tratamento não fazia mal nenhum e assim se não resultasse tirava mesmo daí a ideia...
Mas não me entendo, se tantas vezes pensei em desistir, se senti um alívio quando o médico me disse que não faziam mais nenhum tratamento... porquê este sentimento agora?
Devo estar a enlouquecer...só pode...
Ontem estive com o Pedro ao colo, ele estava a chorar e eu perguntei-lhe se ele queria fazer um concurso comigo, qual de nós iria chorar mais?
E que de certeza eu ganhava.
E ganhava mesmo, tenho certeza, ontem ganhava...
Tenho andado muito triste, tento esconder pelo Gonçalo, pelos meus pais e pela minha irmã, mas neste momento perdi o meu rumo...
Queria acordar deste pesadelo, queria ter um interruptor que permitisse desligar e fizesse com que eu deixasse de pensar neste assunto, pensei ser forte o suficiente para continuar a viver... mas realmente não sou, pelo menos por agora não sou...
Vou de férias em Outubro, já temos a viagem marcada... só desejava ir e que quando voltasse sentisse que tudo isto não passou de uma terrível fase e que a infertilidade existiu mas que já não faz parte da minha vida.
Sei que o Gonçalo também anda em baixo com tudo isto... se eu pudesse apagar estes últimos seis anos... juro que os apagava já...


publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 09:09
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Sexta-feira, 4 de Setembro de 2009
Fim de um capitulo

 

Há dias em que não sei o que escrever,
Ou melhor... como dizer
Em relação ao post anterior já sei a resposta...
Ligaram do HSJ para ir lá que o médico queria falar connosco.
Ontem lá fomos,
e ficamos a saber que não fazemos mais tratamentos.
O médico disse o que eu já contava ouvir.
Para mim, sinceramente foi um alívio.
Vi que realmente e tal como o Prof. Nos disse o nosso caso é muito complicado e já não bastava o caso do Gonçalo, agora em mim e em cada tratamento que fiz a minha resposta quer em quantidade quer em qualidade foi sempre diminuindo.
Essa diminuição foi drástica neste último tratamento.
Perguntam vocês... um alivio... ela está assim tão contente?
Não, sinto-me triste, negra por dentro... mas ao mesmo tempo um alívio para mim porque já sofri muito todos estes anos e ainda mais pelo Gonçalo, que a cada injecção eu sentia nele a tristeza profunda de estarmos nesta situação.
Foi um alívio porque agora sim, sempre me senti feliz, mas agora posso viver a minha vida de forma plena e intensa, sem restrições em prol da infertilidade.
Muitas vezes pensei em desistir, mas nunca o fiz, porque sei que se um dia o fizesse, iria culpar-me para sempre por ter desistido, ter sido fraca e ter optado pelo caminho mais fácil...
Mas não, lutei até ao fim, sempre com um sorriso, todas as pessoas me diziam que eu era incrível, como é que eu lidava com esta situação de modo tão frágil mas ao mesmo tempo forte e sempre com um sorriso. Houve um dia em que uma amiga de luta, a Susana, disse ao marido “vais gostar dela, está sempre a rir”
Ela tem razão estou sempre a rir... ri-me da infertilidade, fiz-lhe frente, acreditei que eu iria sair vencedora... mas não... foi ela.
Resta-me agora limpar as lágrimas (sim porque neste momento estou a chorar, não fui eu que desisti mas mesmo assim custa muito) e seguir em frente com a minha vida.
Nestes anos aprendi muito, e fiz todos os possíveis para ser feliz e consegui. Deixo esta luta tranquila comigo própria, sei que ajudei muitas meninas a renovar forças e esperanças, tive sempre uma postura serena e sempre tentei dar uma palavra de apoio e carinho, por vezes só eu sei como eu própria me sentia, muitas vezes quem também precisava de colo era eu (tal como me disse muitas vezes a Cláudia)...
Sempre acreditei que devemos ter coragem, para ouvir um médico dizer que já não há mais nada a fazer e aí desistir de viver uma vida restringida a uma luta que por vezes não tem fim e que nos desgasta muito, quer física quer psicológica.
Neste momento é a minha vez de ficar por aqui, quem sabe um dia não volte a tentar outra vez, mas será muito complicado, se pelo menos fosse só o factor masculino, mas agora também este problema que surgiu em mim...chegou o nosso limite...
A infertilidade não é fácil e dói muito... mas lutem até aos vossos limites, em principio não irei abandonar este meu cantinho... continuem a visitar-me e já sabem... estou aqui para o que precisarem...


publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 08:53
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Domingo, 23 de Agosto de 2009
Sem saber o que me espera

Há dias em que realmente me apetece desistir de tudo.

Começo a ficar cansada de abdicar de coisas em prol dos tratamentos.
Nunca sei o que hei-de fazer, que caminho tomar. Detesto estar nesta situação. Gosto de ter o controlo da minha vida, mas já há algum tempo que o deixei de ter.
Não quero com isto dizer que estou mal, estou bem e sinto-me bem, mas há dias em que estou sozinha e penso o quanto a minha vida significa para mim, o quanto é importante e tento lembrar-me apenas das coisas boas e esquecer tudo o resto, mas há certas alturas em que é complicado.
Neste momento a infertilidade faz parte da minha vida, mas de uma forma mais calma, não obsessiva como há alguns anos atrás, consigo “esquecer” o assunto por algum tempo. Claro que nunca o irei esquecer por completo, não há como passar uma esponja no assunto e fazer de conta que nunca existiu na nossa vida, ela existiu, existe e continuará a existir.
Mas hoje apetece-me desistir, magoa muito de cada vez que a esperança renasce e começamos uma nova luta, e essa luta é mais uma vez vencida pela infertilidade, não por nós.
Este último tratamento foi o pior, foi o que mais me magoou. Como foi a quarta tentativa depositei nele todas as minhas forças, sentia-me em paz comigo própria, coisa que nunca me tinha acontecido e sempre acreditei que seria desta, desejava tanto que fosse...
Dói receber um negativo, mas dói, ainda mais, começar a sonhar que será desta e de repente a meio do caminho somos abalroados de modo bem caprichoso pela srª infertilidade. Abalroou-nos e mandou-nos para casa, não nos deixou seguir em frente, ficamos a meio do caminho, de pernas e mãos atadas sem saber se poderemos ou não caminhar novamente.
Ainda temos espermatozóides congelados, dois frasquinhos, agora resta-nos saber se o hospital nos vai dar mais uma hipótese, se sim começaremos de novo o nosso caminho, se não ficaremos por aqui…
Acredito que Deus escreve certo por linhas tortas…
Só Ele sabe qual será o nosso futuro…


publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 17:50
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Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009
Mais um aniversário

de casamento... bodas de lã...

 

Já cá cantam 7 aninhos...

 

 

 

 



publicado por infertilidadeumsonhoumavida às 08:42
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